BHP: sistema de formação de preço do minério está perdendo força
São Paulo - 18 de Agosto de 2008
O sistema de referência anual para a formação de preço do minério de ferro está perdendo força, disse o executivo-chefe da BHP Billiton, Marius Klopppers. Segundo ele, a mineradora "não vai querer assinar nenhum contrato de minério de ferro baseado no sistema tradicional de referência". Ele afirmou que a BHP é uma grande fornecedora de minério e que o mercado à vista cresceu e tornou-se tão grande quanto os de cobre e alumínio em termos de tamanho e de número de participantes de mercado.
Cada uma das três maiores produtoras de minério de ferro no mundo - Vale, BHP e Rio Tinto - geralmente usam um sistema de referência que consiste na negociação de preços anuais por parte de uma delas, no que é seguida pelas demais. Mas neste ano, a Rio Tinto e a BHP obtiveram aumentos muito maiores em suas negociações anuais de preço do minério de ferro com as siderúrgicas asiáticas do que os obtidos pela Vale. Analistas do setor afirmaram que essa capacidade da Rio Tinto e da BHP de fixarem preços em termos diferentes poderá enfraquecer a eficácia do sistema de referência global. Hoje, a BHP informou que obteve lucro líquido recorde de US$ 15,39 bilhões no ano fiscal terminado em 30 de junho, 14,7% maior que o de US$ 13,42 bilhões registrado no ano fiscal anterior. Após a divulgação do balanço, Kloppers reiterou que a oferta hostil de US$ 150 bilhões da BHP à Rio Tinto é atraente e que faz sentido unir as duas mineradoras tendo em vista as pressões de custo do setor. "Levando em conta o crescimento no longo prazo, os desafios de demanda que o mundo apresenta e os de oferta que nós descrevemos, a combinação da BHP com a Rio faz mais sentido do que nunca", disse ele. Os analistas da MF Global Securities, no entanto, afirmaram que o lucro da BHP está mais alavancado ao preço do petróleo, que tem recuado após bater o recorde no primeiro semestre, e que a Rio Tinto tem provavelmente o portfólio mais defensivo diante da queda das cotações das commodities. A Rio Tinto divulgará balanço semestral na próxima semana e a estimativa média dos analistas é de lucro líquido de US$ 5,1 bilhões, 45% maior que o de US$ 3,52 bilhões de igual período do ano passado.