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Agência Estado

 

Falcon quer reverter suspensão de compra de mina da Petrobras

São Paulo - 27 de Agosto de 2008

Agência EstadoA Falcon Metais, empresa que havia comprado minas de potássio da Petrobras e que teve o negócio desfeito por pressão do Planalto, vai tentar reverter a decisão. "Nosso objetivo é fazer exatamente o que o governo quer: produzir potássio muito rápido, pois todos têm a ganhar com isso", disse à Agência Estado o presidente da empresa, Hélio Diniz. "Queremos uma oportunidade para saber qual é a demanda e qual é o problema, para tentar ajudar a resolver", disse. A Petrobras colocou à venda os direitos de mineração de suas reservas de silvinita na Amazônia.

Desse mineral é extraído o potássio, uma matéria-prima para a fabricação de fertilizantes - um produto considerado estratégico para o governo, diante do crescimento da demanda mundial por alimentos e biocombustíveis. O negócio teria desagradado à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e por isso a estatal cancelou a operação no último dia 15. Em nota, a Petrobras atribuiu a decisão à alta administração da empresa e alegou "razões estratégicas."

Segundo técnicos do governo, a posição de Dilma foi apoiada por outros integrantes do governo, como o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes e o de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, além do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do ponto de vista deles, o negócio foi uma má idéia porque entregaria a empresas internacionais um insumo estratégico para o País, num momento em que o governo elegeu como prioridade o aumento da produção nacional de fertilizantes. Havia ainda o risco de a nova dona das minas não explorá-las, de modo a manter os preços em alta. "Não temos nenhuma relação com o cartel internacional de fertilizantes", assegurou o presidente da Falcon.

Segundo afirmou, o foco da empresa é mineração e a idéia é produzir potássio prioritariamente para o mercado brasileiro. Eles não pretendem fabricar fertilizantes. Ele esclareceu ainda que a Falcon Metais é uma empresa brasileira, recentemente constituída, que tem cerca de 15 sócios estrangeiros entre canadenses, americanos e europeus. Há planos para lançar ações na Bolsa de São Paulo. Integrantes do governo, porém, referem-se a ela como uma empresa canadense. Essa referência consta da nota divulgada pela Petrobras. No Canadá estão as maiores produtoras de potássio do mundo. A Falcon faz parte de um grupo empresarial que já atua no Brasil.

Entre seus negócios, estão uma mina de ouro em Jacobina (BA), já em operação, e uma mina de vanádio em Maracás (BA), que começará a produzir em 2009. Produzir potássio foi uma decisão empresarial, explicou. "Nosso objetivo é buscar a melhor oportunidade de investimentos e o potássio é uma "hot commodity", afirmou Diniz. Atualmente, a tonelada do produto está cotada na casa dos US$ 800,00. Há um ano, quando a Petrobras tentou vender as minas que hoje causam tanta celeuma, a tonelada estava em US$ 150,00. Como o valor não cobriria os custos de produção e transporte, naquela ocasião não houve interessados. Na licitação realizada há um mês, porém, surgiram três concorrentes.

A Falcon Metais saiu vencedora com uma proposta de R$ 151 milhões, 60% acima do valor mínimo fixado em edital. Desses, 10% já foram pagos à estatal. Por esse montante, a empresa arrematou a totalidade - e não 10%, como haviam informado técnicos do governo - dos direitos de mineração na região, que possui uma reserva de potássio de 1,2 bilhão de toneladas, suficiente para produzir durante 50 anos. Para começar a exploração, a empresa precisará investir mais R$ 3 bilhões.

A produção começaria num prazo de 5 a 7 anos. Numa fase inicial, ela atingiria 2 milhões de toneladas por ano, o triplo da produção atual. A demanda brasileira é de 7 milhões de toneladas anuais, de forma que hoje o País é fortemente dependente de importações. Diniz rebateu outra preocupação do governo: a de a Falcon não produzir potássio e ficar "sentada em cima" da mina para manipular preços. "Já investimos muito, portanto quanto mais rápido tivermos o retorno do investimento, melhor", argumentou.

"A legislação é clara: não existe como manter o direito mineral sem trabalhar, a não ser que você seja a Petrobras. Quando eu digo Petrobras, eu digo empresa do governo, que o próprio governo faz vistas grossas na fiscalização", disse. Segundo integrantes do governo, a estatal detinha os direitos da mina de silvinita há 15 anos e nunca a explorou.

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